sábado, 21 de março de 2015

Ahhhh que nojeeeeera!: Friburguense x Madureira


Finalmente encontrei tempo para conhecer um dos estádios que mais tinha vontade de visitar: o Eduardo Guinle, em Friburgo.

Essa vontade derivava, sobretudo, da memória afetiva que o estádio me desperta. Quando criança e ao longo da adolescência ouvi muitos jogos de lá transmitidos pelo rádio.

Sou do tempo em que os times chamados grandes tinham que viajar para enfrentar os "pequenos" em suas casas. 

Infelizmente hoje são poucos os estádio liberados para receber os principais clubes do Rio de Janeiro. 

O Estádio do Friburguense é um dos poucos que ainda recebe os times grandes com certa regularidade. Este ano tivemos jogo Botafogo e talvez o Vasco também jogue lá. Digo talvez, porque consta no site da FERJ que ainda falta definir o local da partida.

Torço que esse jogo seja em Nova Friburgo porque acho fascinante a possibilidade de que existam competições que permitam essas visitações que são ótimas para os clubes e para os moradores locais.

O Estádio Eduardo Guinle é fofo. O que mais poderia dizer...

Passou recentemente por uma reforma e está ótimo. 

A sua localização contribui bastante para a sensação de aconchego.

Rodeado da natureza de Nova Friburgo, com clima ameno e gostoso, com cheiro de mato no ar....

É um lugar muito agradável para se assistir futebol, não só pelo clima, mas pelo estádio em si que combina conforto, mas sem matar a possibilidade de certos prazeres como:


Assistir ao jogo de pertinho segurando as grades do alambrado




Descansar sobre a arquibancada e pensar na vida:




Isso pra mim é viver.....


PARTIU, FRIBURGO!

Esta Caravana contou com a presença de Carolina e juntas pegamos um ônibus na Rodoviária Novo Rio para Nova Friburgo, na manhã de quinta-feira.

A viagem é longa, mas pelo menos não estava chovendo.

No caminho, me deparei com um "legado" da Copa do Mundo:



Depois esperei pela saída do meu busu e como dizia na porta: que Deus nos guie!




CHEGANDO EM FRIBURGO

A cidade de Nova Friburgo fica localizada na região Serrana do Rio de Janeiro, terra de clubes como o Serrano, de Petrópolis que agora, em 2015, completa 100 anos.

Em Janeiro de 2011, Nova Friburgo foi quase que devastada por enchentes. 

Essa tragédia foi provavelmente a pior da história da cidade.

Foram mais de 900 mortes na região serrana, mas esse número provavelmente foi bem maior. Houve muitos desaparecidos. 

Somente em Friburgo foram 426 mortes registradas. Mas especialistas que visitaram a região acham que muito mais gente morreu. 
(http://acervonovafriburgo.blogspot.com.br/2011/02/mais-de-905-mortos-na-regiao-serrana.html)


A tragédia também gerou consequências para o time do Friburguense que, em 2010, havia caído para a 2a divisão e que teve sua pré-temporada interrompida por motivos óbvios e plenamente justificáveis.

O estádio Eduardo Guinle serviu de heliporto e as instalações do clube foram usadas para receber doações.

É a primeira vez que visito à cidade e ao chegar, fiquei imaginando o quanto deve ter sido difícil a reconstrução de bairros que haviam sido inteiramente destruídos. 

Fiquei hospedada na região central da cidade que não foi a mais atingida, mas que mesmo assim sofreu muito com as enchentes.

Essa região parece recuperada e conversando com um taxista, ele me disse que a cidade melhorou muito, mas que as regiões mais atingidas, ainda precisavam de tempo para se recuperar totalmente.



Centro de Friburgo hoje

O comércio que sofreu muitos abalos, também tem-se mantido vivo, pelo menos na região central da cidade.

Num desses comércios o olhar arguto de Carol viu uma interessante foto do Jogador Garrincha pendurada na parede 



Foto Leda Costa


Um funcionário da barbearia me disse que era uma foto do filho do patrão posando ao lado de Garrincha que, segundo ele, em seus últimos anos de vida costumava visitar com frequência a cidade, realizando algumas partidas pelo Amparo Futebol Clube, time amador.


É bem provável que esse laço entre Nova Friburgo e Garrincha tenha surgido em 1962 quando a seleção se concentrou na cidade



Fonte: http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/a-selecao-de-62-em-friburgo-12644778

1962, foi a segunda vez que Nova Friburgo abrigou a seleção brasileira, sendo a primeira em 1954. 

Tanto em 54 quanto em 62, a seleção treinou com presença de público no campo do Fluminense Atlético Clube, ou seja, o Estádio Eduardo Guinle que na época ainda estava longe de ser o que é hoje.


Fonte: http://fripedia.blogspot.com.br/2014/10/estadio.html


Um dos treinos foi feito contra a seleção de Friburgo:

Fonte: http://www.avozdaserra.com.br/noticia/26528/centenario-friburgo-fc-celebra-aniversario-e-inicio-do-esporte-na-cidade
Como mostra a reportagem abaixo, em 1962, foram realizadas algumas obras no Eduardo Guinle. Arquibancadas de madeiras foram construídas para receber o público que pagou ingresso para ver os jogos-treino.

O Globo, 07/04/1962

Em 1962, os treinos da seleção no Eduardo Guinle também reuniram uma pequena multidão. Pela foto, pode-se perceber que o estádio foi bastante modificado com o tempo. 



O Globo, 13/04/1962, Fonte: http://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData=196019620413 


O FRIBURGUENSE

O Friburguense é um clube relativamente novo, nascido da fusão entre o Fluminense Atlético Clube


Fonte: http://cacellain.com.br/blog/?p=36368

E o Serrano de Friburgo




Derivando no Friburguense que foi fundado em 14 de março de 1980




e cujo mascote é o Vovó Chopão em referência à colonização de Friburgo feita inicialmente por Suíços e Alemães


Fonte: http://mercadofute.blogspot.com.br/2015/01/friburguense.html


Do Fluminense de Friburgo, o Friburguense herdou o estádio Eduardo Guinle. Busquei informações sobre a história do estádio, mas não encontrei nada satisfatório.


Ficamos com o hoje então



Foto Leda Costa


Foto Leda Costa



Foto Leda Costa




Como se pode perceber pelas imagens, o clube e o estádio são conectados a comércios variados

Um deles - um simpático bar - é colado ao portão do estádio:





Dá para tomar uma cerveja,



enquanto damos uma espiadinha na preliminar dos juniores:




Não visitei a parte interna do clube, mas de fora parecia muito bem cuidado. De lá saiam aos montes, crianças com o uniforme da escolinha de futebol do Friburguense

Contornando o estádio, chegamos a bilheteria













 Com ingressos nas mãos, entramos no estádio e demos de cara com o aquecimento do Madureira









O estádio Eduardo Guinle é muito aconchegante. Seja pela paisagem ao redor, pelo cheiro de mato, seja porque une uma boa infraestrutura, mas sem os excessos da pasteurização atual das chamadas arenas.




Temos um bom gramado, boa visibilidade das arquibancadas, que embora em sua maioria esteja coberta por cadeiras, não impedem o torcedor de ficar em pé  ou sentado se quiser. 

Essas cadeiras pertenciam ao Maracanã e visivelmente foram pintadas recentemente.






Se de lá de fora, no bar, se podia ver o estádio, de dentro podia-se ver as cadeiras do bar. 




A TORCIDA


"Ahhhh que nojeeera!" era o que gritava um torcedor toda vez que o Friburguense errava um passe ou cometia qualquer erro. 




E não foram poucas as vezes em que ouvi essa frase, afinal o Friburguense estava numa noite meio desastrada.

Além disso, o Madureira, seu adversário, não era fácil. Tem feito um bom Campeonato Carioca, repetindo a ótima campanha da terceira divisão do brasileiro do ano passado.

Vida de torcedor não é fácil.

Mas é preciso torcer





Como ocorre em diversos estádios de times que não estão na hierarquia dos investimentos no futebol é comum a mescla de indivíduos que não torcem exclusivamente para o time local. 



O segundo da esquerda para direita estava com a camisa do Fluminense carioca, torcida aliás muito presente no pouco tempo que estive em Friburgo. Foto: Leda Costa
Foto: Leda Costa



Foto: Leda Costa


Então os times entraram em campo:


Foto: Leda Costa

Foto: Leda Costa


O jogo foi marcado por muitos erros do Friburguense, bem explorados pelo Madureira. Foi em um erro de saída de bola que o Madureira com Rodrigo Pinho fez seu primeiro gol ao 13 da etapa inicial como diriam os locutores de rádio. 

O Friburguense teve um pênalti marcado a seu favor, mas foi desperdiçado. 


Restava ao Friburguense, o segundo tempo para tentar o empate e a vitória.


Aproveitando o intervalo fui dar umas voltas, uma delas no banheiro:








Para o segundo tempo troquei de lugar na arquibancada:








Assisti ao gol de empate do Friburguense e ao segundo gol do Madureira:







E com esse placar o jogo terminou











E quando o jogo termina temos que ir embora.



NO DIA SEGUINTE: ORGIA GASTRONÔMICA EM TERESÓPOLIS

Fiquei pouco tempo em Friburgo, apenas 1 dia. Cheguei na cidade quinta e fui sexta antes do meio dia. 

Além de economizar precisava passar em Teresópolis, antes de voltar para o Rio. Queria comer no famoso bar-restaurante, Caldinho de Piranha.

Para isso peguei um ônibus para a terra de Teresa. Mas antes de ir embora consegui algumas pérolas:







Agora sim, vambora...






A viagem é rápida, cerca de uma hora e meia. 

Ao longo do caminho avista-se uma paisagem belíssima.

Chegamos com bastante fome e rumamos direto ao Caldinho.

Da rodoviária até o bar é uma bela andada, cansativa porque o percurso é em ruas altas.

Andamos...





Andamos 


E depois de uns quinze minutos chegamos








E finalmente o prato que dá nome ao bar




Tudo delicioso e temperado pela fome. 

Agora era só descer a ladeira....

E antes de me despedir, dei uma passada no Museu do Esporte de Teresópolis que encontrei por acaso, pois fica bem ao lado da rodoviária.




Jogador amônimo


O Museu dá ênfase à história do futebol em Teresópolis, especialmente ao Teresópolis Futebol Clube, fundado em agosto de 2015 - fará, portanto, cem anos em agosto - e que mantem suas atividades até hoje, disputando a 3a divisão do Carioca.


Foto: Leda Costa. Camisas antigas do Teresópolis Futebol Clube


Foto: Leda Costa


A seleção Seleção Brasileira também tem destaque. Aliás. como sabemos, é em Teresópolis que fica a Granja Comary.


Foto: Leda Costa


Também restou algum espaço para outros esportes, cujo atleta tivesse sua história atrelada à Teresópolis







Foto: Leda Costa



Dedo de Deus


Agora é hora de dizer tchauzinho ... e como diz no ônibus: "Que Deus nos Guie"






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