terça-feira, 6 de agosto de 2013

MEU PRIMEIRO CLÁSSICO NO "NOVO MARACANÃ"



Estava ansiosa por ir ao Maracanã após as reformas e assistir a um jogo entre clubes, especialmente que envolvesse o Vasco.

O primeiro jogo que "reinaugurou" de fato o Maracanã foi Fluminense X Vasco, realizado dia 21/07

Nesse dia estava em Curitiba e assisti ao jogo pela TV do hotel.

Havia cerca de 34 mil pessoas presentes, o que em parte foi frustrante.

Era para o Maracanã estar lotado porque afinal de contas tratava-se de um clássico que há mais de 2 anos não acontecia nesse estádio.

Mas esse "pequeno" público, em parte, se explica devido ao preço dos ingressos cobrados em alguns setores do estádio, especificamente o chamado setor Premium com preços que variavam entre 300 e 250 reais

Não sem motivos, essa parte do estádio ficou vazia e assim permaneceu nos outros jogos realizados

Assim aconteceu no Vasco X Botafogo de domingo passado.

Esse clássico foi cheio de emoções, igual a música de Roberto Carlos
.
E com algumas boas surpresas.


CHEGANDO...


Não foi fácil chegar ao Maracanã, pelo menos para quem vinha do sentido Zona sul.

Tudo engarrafado.

Não sei dizer se por causa do jogo. Mas foi um suplício.

Saí de Copacabana às 17h horas e cheguei às 18h10.

Isso para mim é uma tortura.

Odeio chegar tão em cima da hora assim porque chego esbaforida, ansiosa, perdida...

E além disso corro o risco de perder a entrada dos times em campo.

Detesto tudo isso.

Mas fazer o quê?




 
TIVE QUE CORRER......
 
 
 
 
 
Ainda mais sabendo que ainda teria que buscar os ingressos comprados na Internet.....
 
 
 
 

Ingressos comprados pela Internet, um capítulo à parte

 
Antigamente eu torcida para que chegasse o dia em que houvesse venda de ingressos para jogos de futebol via internet. Achava que quando isso ocorresse muitos problemas seriam exterminados, sendo que o principal deles seria o problema das filas.
 
Engano meu....
 
A venda de ingressos pela Internet estão longe de facilitarem a vida do torcedor e da torcedora.
 
Na maioria das vezes que comprei ingressos pela internet, foi  necessário buscar o ingresso na bilheteria.
 
Na minha cabeça isso não faz sentido.
 
Em caso de peças de teatro e cinema podemos imprimir o ingresso em casa com código de barras pronto para ser lido no estabelecimento.
 
Não é o que ocorre no futebol.
 
Os ingressos precisam ser trocados na bilheteria.
 
A compra pela internet de fato possibilita algumas facilidades, já que o site pode ser acessado 24h. Isso é ótimo para os que trabalham, para os que têm pouco tempo, para os que moram longe dos postos de venda de ingresso, para o que como eu morrem de preguiça de sair se deslocando pela cidade.
 
PORÉM, a retirada de ingressos é extremamente burocrática, portanto demorada.
 
Tem assinatura aqui, apresentação de documento ali, checagem de dados lá e nisso o tempo vai passando....
 
Por que tudo isso?
 
Para evitar cambistas?
 
Ora posso comprar pela internet, buscar os ingressos e repassá-los depois para serem vendidos.
 
Essa burocracia é mais um empecilho para a vida de nós torcedores. Esperei cerca de 10 minutos para ter meus ingressos em mãos e eu que já estava atrasada, fiquei mais ainda
 
 
    
 
 
Sim, há ingressos vendidos na internet cujo sistema possibilita que passemos o cartão de crédito nas catracas do estádio. Em São Januário é assim. Assim como também não o foi na Ilha do retiro.
 
Mas esse sistema por enquanto aceita apenas uma bandeira.
 
Em um clássico ocorrido em um estádio recentemente reformado, com ingressos caros (somem a taxa de serviço cobrada nas compras pela internet), não faz sentido que se busque ingresso com tanta burocracia.
 
 
 

 

 



 

 

INGRESSO E TORCIDAS

Cheguei bem no momento da entrada dos times. Cheguei esbaforida.....






Depois mais calma, comecei minha sessão de fotos:


De frente para mim a torcida do Botafogo

 
 
Do outro lado, em frente a torcida do Botafogo, estava a do Vasco:
 
 
 
 
 
Graças a Deus, as bandeira estavam presentes em ambas as torcidas. O que eu temia não aconteceu, a torcida aparentemente conseguiu construir - ou está construindo - seu espaço no Maracanã. Elas continuam a cantar, gritar, xingar e ficar de pé.... e até estender o bandeirão:
 
 
 
 
 
Foi uma boa surpresa, perceber que é grande a chance de fracasso das tentativas de padronização dos modos de torcer
 
 
ENQUANTO ISSO.....
 
Setores cujos ingressos possuem preços exorbitantes ficaram vazios......
 

 
 
Vazios, em ambos os lados
 
 
 

 


Certamente há de se rever a política de preços dessas partes do estádio que aliás são as que primeiro aparecem na tela da TV, passando a impressão de que o estádio está às moscas....

Pensando mesmo em termos comerciais, não vejo vantagem em ter sempre uma parte do estádio vazia quando se podia deixá-lo lotado.

O preço mais barato do ingresso para Vasco X Botafogo foi 80 reais....!!!

Paguei meia porque sou sócia do Vasco + a taxa de conveniência cobrada pela compra via internet = 47 reais.

Ainda considero caro e penso que o dia em que o Maracanã deixar de ser uma novidade - digo o mesmo em relação às outras arenas - nossos bolsos não suportarão mais....


O JOGO


Na quinta feira passada fui assistir a peça A falecida do Nelson Rodrigues.

O protagonista dessa peça é Tuninho um torcedor do Vasco.

Em certo momento há um diálogo maravilhoso entre esse torcedor e sua esposa, Zulmira, cujo desinteresse pelo futebol o impressiona e ao mesmo tempo lhe causa inveja.

Afinal Tuninho conclui que Zulmira devia ser mais feliz, afinal não precisava passas por todo sofrimento pelo qual passa um torcedor que vive à mercê de seu clube de coração.

Lembrei desse diálogo o tempo todo.

Pensava: nossa como torcer é uma coisa sofrida, doída e que maltrata mesmo.

Seria bem menos sofrido se eu estivesse fazendo outra coisa, pensando em outra coisa, sei lá.

Quando seu time não vai bem, às vezes parece que somos mesmo masoquistas.

É meio meu caso....

Eu havia sonhado no dia anterior que o Seedorf havia colocado um monte de bola na trave....

Foi pior que o sonho.....


O torcedor vive em uma encruzilhada: o medo do sofrimento da derrota e a esperança de uma vitória.

É verdade que existe a possibilidade do empate, mesmo assim estamos sempre na gangorra do sofrimento e da felicidade.

Felicidade é um sentimento intenso, vivido em poucos momentos de nossas vidas.

Isso me lembra Freud que no texto "O mal estar na civilização" a respeito do que nós esperamos da vida:

Esforçam-se para obter felicidade; querem ser felizes e assim permanecer. Essa empresa apresenta dois aspectos: uma meta positiva e uma meta negativa. Por um lado, visa a uma ausência de sofrimento e de desprazer; por outro, à experiência de intensos sentimentos de prazer. Em seu sentido mais restrito, a palavra ‘felicidade’ só se relaciona a esses últimos.

Tenho a impressão de que para nós torcedores o gol do nosso time consegue nos proporcionar "experiência de intensos sentimentos de prazer" que chegam muito próximos do que poderíamos chamar de felicidade.

Por isso, concordo em parte com Tuninho de A falecida.

 
Talvez eu - e diversas outras pessoas - sofrêssemos menos SE não gostássemos de futebol.

Mas certamente deixaríamos de experimentar esses pedacinhos de felicidade.

Pedacinhos que no meu caso, tá difícil!!!!

O Vasco levou dois gols do Botafogo com certa facilidade.

Já aos 30 minutos do 1o tempo o time alvinegro vencia por 2x0

Desânimo seu nome é Leda.

Fui passear nos corredores.

Aí saiu o gol do Vasco

Me deu vontade de ficar no corredor, afinal isso podia ser um sinal de que minha permanência ali interferia no resultado.

Mas tinha a Caravana....

Voltei para as arquibancadas.

Graças a Deus, naquele domingo, não sei se nos outros clássicos, não havia lugar marcado, portanto comecei assistindo nas cadeiras inferiores e terminei nas superiores.

De lá observei os Stewards...

E me conformei com a derrota.














Com melancolia, o bandeirão foi carregado









Saindo avistei o Celio de Barros que se manterá de pé, já que se desistiu de demoli-lo




 

 

E o bandeirão indo embora......
 

 

 
 
 
 
Ai ai

nessas horas penso: vou dar um tempo no futebol.

Mas eu sei que é só um pensamento passageiro.

Em breve a Caravana está de volta.



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